De qual irmã você mais gostava?

Houve uma época em que as tramas mexicanas possuíam protagonistas do mal. Rubi e A Madrasta são ótimos exemplos de telenovelas latinas com anti-heroínas.  Em A Usurpadora as personagens mais lembradas estão centralizadas na família Bracho. E lá aconteceram os melhores embates entre a gêmeas. Podíamos torcer pela protagonista mocinha ou pela protagonista vilã. O que havia de tão peculiar nas personagens interpretadas por Gabriela Spanic?

Paulina era a protagonista-mor. Ela é quem deveria formar o par romântico com Carlos Daniel (Fernando Colunga).  Até aí tudo bem. Era simples, ingênua, prestativa e doce, porém, os seus momentos que nos faziam vibrar eram justamente como “a usurpadora”, fingindo ser alguém que não era e evitando se entregar ao amor de Carlos Daniel. Procurávamos em Paulina os pequenos resquícios de uma Paola (por isso os momentos em que dissimulava ingenuamente ser a irmã eram ótimos). Quanto à Paola…esta sim era amada por tanto ser má. Paola não tinha jeito! A novela já começou revelando que ela prometia ser maléfica e odiada por todos as personagens, menos por nós, telespectadores sádicos.

E que dom para interpretação tinha Paola! Fingiu-se presa em uma cadeira de rodas, vítima no julgamento da irmã. Nos vários momentos de vilania nos surpreendia com suas pérolas inspiradoras:

_Queriam que eu batesse com o carro, mas eu dirijo muito bem…

_A impotência me faz ser cruel…

_Esse mausoléu me dá um tédio (…) Eu não tenho ninguém para perturbar e nem para destilar o meu veneno…

_Carlos Daniel à beira da morte? Ahahahahahahha

_Tudo depende da consciência de uma pessoa… e, às vezes, a consciência é uma coisa tão frágil.

_Vou espremer a bondade dela como uma laranja…

Quem usou o antigo MSN e se divertiu com os divertidos giffs de Paola para expressar nossos pensamentos, sabe como ela é um ícone das nossas ironias particulares.

Já Fernando Colunga, com seu Carlos Daniel, poderia ser Luis Fernando de La Vega (Maria do Bairro), José Armando (Esmeralda), Carlos Manuel Rovelo (Abraça-me muito forte) e Manuel Fuentes Guerra (Amor Real). Os papéis, muito semelhantes, o deixaram com um ar de eterno galã sério das mocinhas intrépidas. Ele as ofende, diz que não têm o direito de ficar com ele, mas é sempre o varão que encanta telespectadores e telespectadoras. Tive a oportunidade de assistir no Perú alguns capítulos de Soy tu dueña, uma novela bastante popular em 2010. Talvez nesta o estigma de eterno galanteador foi mudado, uma vez que era subordinado de uma fazendeira rica, que o obrigava a amá-la.

Stephanie (Chantal Andere), a esposa traída que se vestia como uma freira, se transforma numa mulher mais firme no decorrer da trama, fica louca e finalmente se torna freira no final, após descobrir que é filha da governanta. Não há muito que dizer. O breve resumo de sua personalidade já é um capítulo a parte. Quer personagem mais complexa do que essa?  Uma típica coadjuvante de destaque. Por mais que gritasse demais (aí não sei se podemos colocar a culpa na interpretação ou na dublagem), ela é sempre lembrada quando se trata de A Usurpadora. Impossível também não se lembrar de seu marido, o mau caráter Willy (Juan Pablo Gamboa), também amante e cúmplice de Paola e responsável pelo atentado à fábrica da família, nos momentos finais da trama.

Vovó Piedade (Liberdad Lamarque) é a personagem cativa de todos. A rica senhora sofria pelo vício do alcoolismo e era uma espécie de queridinha do público, seja pelos seus pedidos de bebida ou pelos sermões às personagens da Mansão dos Bracho.

 

Não são personagens diferentes das outras novelas que já vimos por aí, sejam brasileiras ou latinas. O que fez de “A Usurpadora” algo especial é justamente um enredo bom (e clichê) mantendo a risca o velho método mexicano de se fazer novela… o que, para nós, é um verdadeiro deleito. Quem nunca brincou de misturar nomes típicos dos protagonistas em conversas sobre as telenovelas de lá? Essa é a graça e, por isso, são lembrados. É claro que Paola não soltava suas pérolas em todos os momentos. Para quem não conhece a novela, saiba que tem o mesmo ritmo de tantas outras que o SBT reprisa nas tardes, porém, esses pequenos jargões fazem da trama uma boa lembrança. Agora, assim como Carrossel e Chaves, será que a versão original de A Usurpadora nos agradaria sem a dublagem que conhecemos e a sonoplastia encomendada? É isso que veremos amanhã!

 

Josuel Junior

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Josuel Júnior

About Josuel Júnior

Professor de artes e bacharel em interpretação teatral formado pela Faculdade de Artes Dulcina de Moraes/DF. Coordenador da Cia. Fábrica de Teatro/DF com pesquisa em dramaturgias populares e cultura de massas. Palestrante sobre a cultura de massas em conferências artísticas em países como Perú, Chile e Venezuela. Trabalhou na Rede Globo Brasília.

10 thoughts on “De qual irmã você mais gostava?

  1. adoro paulina pois ela e meiga e charmosa ja paola e chata e rude so pensa em si mesma eu to mas no lado do bem quero q ela e carlos daniel sejam feliz nessa novela otma e um araso eu amo a ssisti todas as tarde vale apena

  2. Eu acho que deveriam fazer uma versão original da A Usurpadora foi uma das melhores novelas que eu ja conheci uma novela totalmente diferente uma versao com atores diferentes atores dessa geraçao nossa seria a campia de audiencia pois hoje em dia nau faz novelas como antigamente

  3. adoro paola bracho se cad mulher fosse um pouco de paola seria a mulher mais cobiçada pois ela é muito linda e elegante.

  4. Gente! Quantos fãs de Paola!!! Rs

    Ela também é minha preferida. Poxa… bem que a Televisa poderia lançar o box de DVD com dublagem em português, não é mesmo?

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