Ela é… A Usurpadora

paolathmbO enredo não era inédito. Aqui no Brasil mesmo já tínhamos as recentes Ruth e Raquel, de Mulheres de Areia e Vivi e Fernanda, de Cara & Coroa. Porém, a aposta do SBT em comprar a trama da Televisa, escrita por Inés Rodena e adaptada por Carlos Romero deu certo.  Sua primeira exibição aqui ocorreu entre 22 de junho e 09 de novembro de 1999, acompanhando o sucesso estrondoso da trilogia das “Marias” de Thalia.

Uma mãe pobre dá a luz a duas filhas gêmeas. Sem condição de criá-las entrega uma à adoção e fica com a outra, que cresce em meio às dificuldades de seu vilarejo. Ela é Paulina (Gabriela Spanic), uma moça simples, que vive em prol da mãe doente. Atualmente é funcionária da limpeza de um estabelecimento.

A outra criança é adotada por uma família rica e se torna a fina Paola Bracho (também Gabriela Spanic), que é o oposto da irmã. Paola vive esbanjando dinheiro e arrogância e é casada com Carlos Daniel (Fernando Colunga), um dos herdeiros da família Bracho. Ela possui um caráter duvidoso e mantém um relacionamento às escondidas com Willy Monteiro (Juan Pablo Gamboa). Willy é casado com a problemática Stephanie Bracho (Chantal Andere), irmã adotiva de Carlos Daniel que, no começo da trama, se vestia de maneira feia. Anfitriã dos Bracho, Vovó Piedade (Liberdad Lamarque) não tinha papas na língua e sofria de alcoolismo.

A riqueza da família não era suficiente para Paola, que não se sentia satisfeita, pois queria dinheiro pra se divertir e manter seus relacionamentos extraconjugais. Para realizar seus desejos, não mede esforços e parte para uma viagem longe de todos, inclusive dos filhos que teve com Carlos Daniel: o problemático Calinhos e a doce Lizzete. Na viagem, acontece a grande surpresa. Paola acredita encontrar uma sósia num banheiro feminino e lhe faz uma proposta audaciosa: trocar de papel por um ano enquanto se diverte mundo afora com seus amantes. Ao perceber a negativa de Paulina, diante de um pedido tão absurdo, Paola forja um possível furto, acusando a sósia de ter lhe tomado uma jóia. Conforme narrado na própria chamada da novela, para evitar a prisão ela vai viver uma vida que não lhe pertence… o romance, a intriga e a emoção. Ela é… A Usurpadora, a novela mexicana que entrou para a história da teledramaturgia latinoamericana,

Como toda novela mexicana, o que parece impossível tem fácil resolução para justificar a entrada de uma nova fase. A mãe de Paulina, que enfrentava uma grave doença (eles nunca explicam qual são as doenças graves), falece e isso se torna um fator a mais para que aceite e encare a proposta de Paola.

Neste momento ocorre a fase de transformação de Paulina, que corta seus cabelos, muda seu visual e começa a agir como uma dama da alta sociedade para ser Paola por um ano, enquanto a original se diverte mundo afora.

A família Bracho vive um momento delicado, onde todas as personagens possuem conflitos entre si. Na mansão deles falta compreensão e amor. Ao chegar e se deparar com essa realidade, Paulina (agora Paola) se torna uma espécie de anjo da guarda de todos, resolvendo os problemas familiares. No começo, todos estranham seu novo modo de agir e, principalmente, a doçura que tem. Não demora muito e ela se torna amada por todos, reconstruindo o casamento com Carlos Daniel, o elo com seus filhos, deixando de ser uma mãe ausente e ajudando Vovó Piedade a se curar do vício do alcoolismo.

Enquanto isso, Paola esbanjava saúde e arrogância, arrasando nas suas frases de efeito, que hoje se tornaram bordões, hits musicais e memes da internet.

Quando tudo parece bem e tranquilo, a verdadeira Paola sofre um desmaio numa viagem com um de seus amantes e entra em coma. Paulina, a usurpadora, admite à família Bracho que não é Paola e que ela não voltou no tempo estabelecido. Mesmo espantados, todos pedem que Paulina fiquem em seu lugar, uma vez que ajudou a reerguer a família. Paola luta para se recuperar do coma e começa a formular um maquiavélico plano de vingança, pois a justiça pretende condenar Paulina pela proposta que aceitou. No julgamento, Paola aparece e inventa uma história contra a sósia: Segundo ela, Paulina propôs que trocassem de papéis para que pudesse viver como a irmã rica sob a condição de matá-la, caso recusasse. No julgamento, Paola é questionada por um advogado por ter sido vista em outro país com um homem. Para se livrar da desconfiança de traição, fingiu passar mal para sair do tribunal.

Depois de descobrirem que são irmãs, Paola reassume seu papel e volta para a mansão dos Bracho, transformando a vida de todos num verdadeiro inferno. Sua cúmplice, a enfermeira Elvira (Azela Robinson), que descobriu suas  armações  é ameaçada e subornada por Paola para que não diga nada a ninguém. A vilã chega a ameaçar Elvira com uma frase clássica: “Eu vou cortar a sua língua e arrancar os seus olhos. Acha isso suficiente?”.

Juntas, as duas sofrem um terrível acidente de carro, que mata a enfermeira. Paola tem demorada recuperação e, segundo o médico, suas pernas deverão ser amputadas (sim… tenho a consciência de que parece surreal a sequência de acontecimentos, mas a novela tinha mesmo esse ritmo dramático). Paola passa a revelar uma série de coisas durante seus delírios e, prestes a morrer, tenta consertar seus erros, pedindo, inclusive, que Carlos Daniel a perdoe e se case com sua irmã gêmea, Paulina. Paola delata também o plano de mau caráter Willy, que pretendia incendiar a fábrica dos Bracho. Num momento quase inimaginável, Paulina faz uma promessa e promete virar freira, caso sua irmã má se salve. Porém, graças aos dramaturgos, a promessa não precisou ser concretizada… Paola morre no leito do hospital. Ela é velada na mansão dos Bracho, depois cremada e enterrada no mausoléu dos Bracho.

Willy coloca fogo na fábrica e é impedido pelos seguranças. Após ser preso, revela a sua esposa, Sthephanie (aquela que no começo da novela se vestia e que no decorrer da trama vai enlouquecendo) que ela é filha da governanta dos Bracho (e olha que nem estamos no último capítulo ainda). Verdades são reveladas, a vilã enterrada, a família reconstruída e Paulina e Carlos Daniel ficam separados. Após a morte da irmã, Paulina tenta esquecer Carlos Daniel para se casar com seu advogado, porém, nos momentos finais, desiste para viver ao lado de seu amor real, pois é ele que ela ama e quer para sempre. Vovó Piedade confirma a revelação de que Sthephanie é mesmo filha de Idalina, a governanta, e as duas selam o amor entre mãe e filha. Final feliz? Ainda não! Sthepanhie começa a ter alucinações, ri sozinha e diz que seu ex-marido, Willy, voltará para buscá-la. A família decide interná-la num sanatório. Ainda não acaba aí… ela vira freira e termina a novela rezando. Carlos Daniel e Paulina reatam e contam às crianças que ela é irmã de Paola (tia deles) e as aceitam como uma mãe. Willy é preso e o casal pode finalmente ser feliz para sempre… ou melhor, ainda não.

Uma semana depois de a novela ser concluída pela Televisa, a produção encomendou uma versão especial reduzida da novela. Foi produzida uma continuação breve, que no Brasil foi traduzido como Mais Além de A Usurpadora, mostrando como ficou a família Bracho depois da morte de Paola e do casamento de Carlos Daniel com Paulina, afinal, um final feliz só não bastava! No Brasil este especial foi exibido em dois capítulos e só apresentado após a versão original e a primeira reprise, em 2000.

A história é tão surreal que chega a ser bizarra. Começa com Paulina pegando o resultado de um exame de check up para ver se está bem de saúde. No exame, consta que ela tem uma doença grave (um câncer terminal) e que morrerá em seis meses. Ela tem a brilhante ideia de escolher uma esposa substituta para Carlos Daniel. A nova mulher não seria uma usurpadora, mas uma substituta, que deveria também criar e amar os filhos de Carlos Daniel com Paola e a pequena filha de Paulina com ele (Paulinha), que nesta fase já estava com três anos.

Paulina escolhe Raquel (Yadhira Carrillo) e a treina para assumir seu posto, tal qual a finada e cremada Paola Bracho fizera no passado, tornando-a uma dama. Sthephanie (aquela que era mal vestida, casada com Willy que colocou fogo na fábrica dos Bracho e que descobriu ser filha da governanta, antes de ficar louca e virar freira) recupera a razão, querendo a guarda de seu filho, uma criança criada pela família Bracho. O que Paulina não esperava é que Raquel não era uma boa pessoa e que estava planejando maldades contra ela. Paola, a vilã que morreu e foi cremada, aparece novamente numa visão de Paulina no espelho.  O plano de Raquel para matar Paulina é simples e usado em várias novelas: ela coloca veneno na taça do vinho que seria bebido por ela. Porém, os filhos de Carlos Daniel mexem na travessa de bebidas e às mudam de posição (sim… pois se a fórmula é a mesma, a solução também precisa ser). Paulina e Raquel tomam vinho e as duas desmaiam. Haveria veneno em duas taças? Não! Raquel bebeu o vinho envenenado e morreu. Paulina teve um simples desmaio e foi encaminhada ao hospital, onde descobriu que seus exames foram trocados e que, na verdade, está grávida. A família se reúne unida para tirar uma foto e, pelo menos dessa vez, serão realmente felizes para sempre. E para sempre mesmo, uma vez que a novela foi reprisada várias vezes pelo SBT: em 2000, em 2005 e em 2007, sempre com bastante sucesso. A última reprise ocorreu no canal pago TLN,  de janeiro a junho deste ano.

A sucessão de clichês presentes em “A Usurpadora” não chega a ser demérito da trama, pois é a real essência de um verdadeiro dramalhão mexicano. O fato de a personagem Paola ter se tornado cult é algo interessantíssimo. Hoje está no hall das grandes vilãs da teledramaturgia latinoamericana. Em países como México e Perú, é normal encontrar em camelôs nos centros das cidades os DVD’s piratas da novela, que são sucesso de venda, comprovando que a mesma já faz parte do gosto do telespectador. Hoje são vendidas no Brasil versões compactas de novelas de televisão, o que começou com os VHS de “Dona Beija” (Manchete), “Carrossel” (Televisa/SBT) e “Floribella” (BAND) . Em países da América Latina esse costume é tão antigo quanto, porém, no caso da produção de DVD’s nossos hermanos chegaram primeiro. Nas ruas e nas lojas, Boxes de “A Madrasta”, “Mari Mar”, “Maria do Bairro”, “A Usurpadora” e “Esmeralda” são vendidos a preço baratíssimo, pela grande procura. Enquanto os boxes não chegam por aqui, o jeito é esperar mais uma reprise pelo SBT.

Josuel Junior

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About Josuel Júnior

Professor de artes e bacharel em interpretação teatral formado pela Faculdade de Artes Dulcina de Moraes/DF. Coordenador da Cia. Fábrica de Teatro/DF com pesquisa em dramaturgias populares e cultura de massas. Palestrante sobre a cultura de massas em conferências artísticas em países como Perú, Chile e Venezuela. Atualmente, funcionário da CGJ, da Rede Globo Brasília.

19 thoughts on “Ela é… A Usurpadora

  1. Olá Josuel, tudo bem? Essa novela realmente merece destaque e o que a torna atraente é a falta de pés no chão ou melhor dizendo a ausencia de realiadade. A mãe de Estephanie se chama Adelina e não Idalina e que escreveu a trama original que foi adaptada por Carlos Romero foi Inés Rodena, autora da trilogia das Marias, Marisol, Amor e Ódio e Seus Olhos e não Tomás Yankelevich. Abraços!

  2. Parabéns pelo texto. Grata surpresa ver aqui um texto sobre novela mexicana!

    Só achei estranho uma parte… “Carlos e Daniel são felizes para sempre” não seria Carlos Daniel e Paulina? rs

  3. essa novela e muito boa demais minha novela prefirida beijos da fâ beijosssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssss.

  4. nossa la na casa do meu sogro ninguem pode conversar na hora da usurpadora todos la sao apaixonado por essa novela e eu tambem bjosss a todos

  5. Ah eu amo essa novela e a melhor novela que já passou na sbt uma novela que todos brasileiro gosta que pena que já vai terminar espero que Passé um dia de novo sou umas das fã número 1 gosto muito de Carlos Daniel ele e um homem muito lindo

  6. e não é que a reprise chegou? e com tanto sucesso quanto das outras vezes… muito ibope, visita da protagonista ao Brasil, a novela é tudo de bom, Usurpadora é eterna !

  7. Paola (a vilã) tinha uma doença. Mas parece que ela não morre disso e sim de acidente de carro. Alguns dizem que Carlos Daniel chega a levar um tiro de Paola na presença de Paulina, confere ?

  8. Eu sou fanatica apaixonada llouca pela usurpadora acho ate que vou morrer quando essa novela acabar. porque graças a deus o sbt reprisou ela agora em 2016…..ainovelas mexicanas sao a minha. vida ….vivo. pra. assistilas porque. fico desesperada. aos finais de semana quando nao tem….e ainda sonho em conhecer morgabriela spanic….ainda n sei como ..rsrs mas vou!!!!amo demais essa novela

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