Olha o golpe! – A arte de ser um adorável trambiqueiro

Eles enganavam, mentiam, aplicavam golpes, faziam mil peripécias pra se apropriar do que era dos outros. Mas como eram fofos! E o Brasil inteiro torceu por eles, há quase 30 anos. Naná (Fernanda Montenegro) e Gegê (Gianfrancesco Guarnieri) eram dois exímios cambalacheiros, levavam muito jeito pra vida de trambiques e levavam vantagem de tudo. Eram dois autênticos representantes daquilo que se chama de “lei de Gerson”. Leia mais

Glória Perez: A dama dos dilemas

A boa dramaturgia é aquela que conta uma boa história ao passo que serve como espelho da vida real. Não necessariamente a trama precisa ser realista, mas não há sentido em se fazer uma obra em que o público não se reconheça.  Ainda que seja uma história fantasiosa, o mais importante é falar sobre as relações humanas. Leia mais

Economia na telinha: cruzeiros e cruzados mostram o que é o real

Se algumas novelas omitem o cenário econômico da época em que são produzidas (quem nunca viu cenas com personagens escrevendo valores em vez de dizê-los?), outras são um autêntico documento (apesar de todos os clichês preconceituosos sobre a alienação que as novelas provocam e o seu “blá blá blá” característico) sobre a sociedade brasileira. Sim, é um texto que fala de economia, mas prometo não incorporar o Adam Smith e nem imitar a Miriam Leitão – até porque, como economista, sou um ótimo noveleiro. Leia mais

Não é fácil a vida da bailarina – Parte II

Na verdade, os principais sentidos da dança são diversão e celebração, ou seja, dançar é uma importante ferramenta para se chegar à catarse, a purificação. E como já foi dito no inicio do texto, o povo brasileiro sempre utilizou o ritmo e o corpo para celebrar qualquer ritual social ou santo. Leia mais

Não é fácil a vida da bailarina – Parte I

Poucos povos são tão musicais quanto o povo brasileiro. A mistura de tradições culturais europeias, africanas e indígenas encontrou no jovem país americano, de proporções continentais, terreno favorável para o surgimento de danças e ritmos variados. Cada região desenvolveu movimentos e signos próprios, resultando, por exemplo, no Baião ou no Frevo no Nordeste, no Vaneirão no Sul, na Catira no Centro Oeste, no Carimbó ou no Siriá no Norte, entre outras. Novos passos e estilos diferentes de dançar foram acrescentados ao longo dos anos, fazendo com que danças se recriassem e chegassem vivas aos dias de hoje, como o Samba, o Forró ou o Axé. Sem contar os estilos contemporâneos e estrangeiros que também fizeram o ouvido e os pés dos brasileiros, como o Rock, o Tango, o Mambo e o Country, ganhando uma roupagem mais tupiniquim. Leia mais

O merchandising social e o melodrama: a projeção-identificação nas novelas de Glória Perez – Parte II

A novela Barriga de Aluguel (1990/91) é a novela-filosofal (se assim pode-se dizer) de Glória Perez, pois todos os elementos que formam o esteio das tramas que a autora escreveria para a emissora estão ali: a vida nos subúrbios, a música, o salão de dança, a boate, o patriarcado e os embates dos discursos religioso e científico, nesses embates a questão social em evidência. Leia mais

Fui traída e daí? As mulheres enganadas de Glória Perez

Gloria Perez está no ar com duas obras extremas. De um lado, “Barriga de Aluguel”, que fecha sua polêmica em torno do menino Carlinhos / Júnior nesta segunda-feira, primeira novela solo da autora na Rede Globo (antes ela apenas assinou a minissérie “Desejo” e ao lado de Aguinaldo Silva, em 1984, escreveu “Partido Alto” – embora o autor tenha abandonado a história no meio). Do outro lado, “Salve Jorge”, seu novo trabalho. Mas há um ponto bastante comum nas histórias de Gloria: a traição. E ao revermos “Barriga de Aluguel” podemos perceber como a autora sabe desenvolver com maestria tal tema com personagens que chegam a ser muito mais interessantes que os próprios protagonistas.  Leia mais